Full: mas nem tanto
Se você leu a coluna passada, na qual busco uma reflexão sobre o papel dos negócios de comunicação frente a classificações e modelos, deve entender quando faço referência a “Full”. Não é porque o modelo de negócio está um pouco confuso que se pode banalizar as práticas de comunicação. Um tempo atrás, visitando o site de uma agência de comunicação local, fiquei surpreso ao ver a quantidade de serviços dispostos sem muito nexo.
Para começar, temos de entender com clareza, também já pincelada por aqui, a diferença entre Tática e Estratégia e onde está a comunicação dentro do processo organizacional. Tá claro? Estratégia está no nível da organização, e Tática, no nível de operação. Com isso, atrelando as agências de comunicação, assessorias de imprensa e grupos de comunicação empresarial, suas funções ficam restritas à operação de natureza tática.
Pois bem, voltando ao caso da visita ao site… muito me espantou ver a descrição de serviços. Os caras tentam trabalhar “vendas”, “treinamentos”, têm grande experiência em publicidade e sugerem conteúdo e criatividade em seus negócios (coisas que todos falam). No entanto, a estratégia e as vendas estão no escopo principal, assinado como “comunicação empresarial”. Como pode?
Vamos lá: comunicação empresarial rege a comunicação publicitária quando se faz o delineamento de uma campanha completa. Definem-se os aspectos organizacionais, os aspectos de marketing, e com as metas e problemas em mãos, é definida a melhor conduta para a comunicação empresarial. Nesse caso, a publicidade não necessariamente está ligada a sua prática. Pode ser uma campanha de imprensa ou uma campanha on-line, e não uma campanha descolada, com mensagem publicitária.
O que me chateia, e chamo a atenção, é que existem agências de publicidade, assessorias de imprensa e consultorias sérias que não tentam ser tão full assim, deixando condições de jogo para o cliente sem trazer prejuízo. Quando um picareta desse entra para jogar e oferece estratégias de marketing, ele dá condições para o cliente perder, gerando ruído para todo o mercado. Aquele cliente que nunca foi atendido por uma agência fica receoso ou, quando é bem atendido, começa a exigir atribuições e know-how que não são obrigatórios a esse tipo de serviço. Vamos tentar ser on, off, ou até mesmo full, mas nem tanto, ok? Cada um no seu “andar’ do workflow, respeitando a especialidade de seus pares, sejam eles empresas parceiras ou gestores de uma organização.
Tags: Comunicação Empresarial
