Archive for Março 2010

 
 

Twittagem na avenida

Sou um candidato, o que fazer? Mando fazer “santinhos”? E buttons? Ainda funciona? Bom, neste ano, teremos urnas pela frente, e já está sendo discutido como será a comunicação na campanha eleitoral. Algumas coisas foram regulamentadas, outras ainda não. Nada mais popular e presente em rodas de conversa do que as eleições. Todos acabam, de uma maneira ou outra, discutindo o assunto.

Como mencionado por Pedro Dória, mídias sociais, redes sociais ou até mídias digitais estão convergindo e se confundindo com as ditas mídias de massa. O “um para muitos” está sendo levado para um local antes ocupado por “muitos para muitos”. Ou alguém aqui acha que o @realwbonner lê os posts de vocês, pobres mortais? Ou os usa como fonte?

Pois é, em um de meus QuemPodcast, em papo com Rafael Losso, já discutíamos as mudanças. E mais: ele, o diretor do portal de conteúdos da MTV, vibrava com a possibilidade de ouvir a audiência, seguir todo mundo, e se relacionar livremente com todos que estivessem ali presentes, na web. Trocando ideias, levando pautas sugeridas, gerando uma verdadeira rede democrática.

Neste BBB, com os “apocalípticos on-line”, achava que haveria um tremor no servidor do Twitter, mas não. Não noto tamanha popularização quanto foi previsto pelos profetas da twitagem. Acredito que o microblog ainda não despertou completamente o interesse de grande parte da população, visto que a fase de inclusão digital que vivenciamos diz mais respeito a receber do que a elaborar conteúdos. Concordam? Se lembrarmos da história do SMS vamos notar. O serviço foi lançado lá nos anos 2000 (nossa…dez anos se passaram…eu estava lá!), mas só agora, nos últimos dois anos, está invadindo as massas, e, mesmo assim, muitos ainda têm dificuldades em usar os serviços. Pedem para o sobrinho, para o neto mandar a tal mensagem para concorrer ao carro no programa dominical.

Em minhas peregrinações pelo Brasil, registrei um fato curioso. Notem: um front-light de um deputado (em rua de grande movimentação), embasado por fonte de um jornal impresso, prestando serviços de seu mandato. O curioso é a assinatura. Será que precisa de tudo isso pra divulgar um twitter? Porque, apesar da mensagem maior ser o fato dele ser ‘ mais atuante, parece que seu principal objetivo na leitura é sua adesão ao microblog. Será que gera follows? Por que não uma ação on-line? Existem tantas táticas de web para gerar mobilização e transmitir recado…


Acredito no trânsito da mensagem entre os meios e na ausência do suporte – sou um entusiasta disso. Neste caso, do front-light, tenho duas opiniões antagônicas: ou ele queria falar para todos de sua atuação, incluindo o povo da twitagem, ou sua assessoria deu uma deslizada e acabou acertando o alvo sem querer.

Pois então, candidato: busque uma assessoria que entenda de cross-mídia e convergência. Que saiba transitar entre os meios. Divulgar a mensagem independente do suporte. Saindo daquele bê-a-bá utilizado desde as Diretas Já. Assim, você se dará bem com santinhos, mas sem deixar de usar as redes sociais.

RT: Tudo previsto

Sei que a @agenciaY está flertando com o @clienteX. A possibilidade de negócio está clara. Um grande anunciante entrará para sua carteira de clientes. Também sei que @governadorB (candidato) está sendo prospectado pelo @assessorMKT rumo a 2010!

Por outro lado, sei que o @Disponível_Nomercado (para não dizer desempregado) está interessado em conquistar uma cadeira no Departamento de Marketing na @multinacionalGringa. Como sei? Previsões para 2010? Mãe Diná? Walter Mercado? Nada disso! Se vocês observarem o comportamento de retuitar de certos “arrobas”, poderão com clareza perceber do que falo.

Raquel Recuero (@raquerecuero), em Difusão de informações no Twitter: o RT e a irrelevância dos links, já anunciava as falhas e o eventual descaso com a mensagem de fato. Muitas delas não passavam de créditos para uma pessoa importante, ou se passavam, de fato, por uma pessoa importante. Afinal, se sigo o @importante1 sou só um @seguidorC, mas se me relaciono com o Sr. @importante1 é porque sou também importante. O problema é que os links quebrados e a dificuldade da interpretação do que está sendo retuitado reverbera sem muita lógica. Lembram dos lêmures na animação Madagascar? Eles repetiam tudo sem saber o que era. Apenas julgavam importante, pois o emissor (Marty, a zebra) daquela mensagem era seu eventual líder. Desde gestos até bocejos eram imitados por seus súditos “i like move it, move it”.

Na tuitosfera podemos verificar que os RT são muito mais eficazes quando se trata de uma mensagem disponibilizada por um célebre midiático. Para Cândida Nobre (@candidanobre), em artigo apresentado no último Simpósio do ABCiber sobre autoria, autoridades e celebridades na propagação de conteúdos mediados, um @joao_ninguem, mesmo que tenha uma ideia genial postada em seu blog de fim de semana e a divulgue para sua (pequena) rede de seguidores, não terá o efeito merecido de sua brilhante ideia e, talvez, nem sequer seja retuitado. Mas se a mesma ideia fosse emanada por um @global_star, seriam dados vários hits e pontuaria com um dos tops da semana – quiçá mês. Embora tenha minhas dúvidas se seria lido…

O que quero alertar, “e entregar para o @bandido”, é que em semanas de interesses específicos algumas mensagens são retuitadas sem muito critério e, com isso, objetiva-se envaidecer o emissor. Já em semana que o flerte é com outro, seja lá com que interesse, as retuitadas param de forma abrupta e a “traição” fica evidente. Vocês não notam isso? Como toda a previsão exige um prelúdio, observando os movimentos dos flertes e RT explícitos, podemos basear as decisões para a futurologia mercadológica tuiteira.