Nome de fantasia: curta, mas reflexiva
Assim como razão social e nome de fantasia das empresas frequentemente se desencontram, sendo o primeiro muito mais técnico e realista, e o segundo, envolvente e sedutor, o nome dos cargos que ocupamos dentro dessas corporações parecem assumir as duas características: uma na carteira de trabalho e outra no crachá. Explico.
Como é possível compreender um cargo denominado gerente junior, quando, por definição, já vemos um confronto entre a autoridade do primeiro e a isenção de responsabilidade do segundo? Bom, se usamos nome de fantasia para razões sociais estranhas e siglas sem nexo, o mesmo parece acontecer com cargos e postos de serviço.
Você já notou que o crachá de uma empresa revela muito sobre ela? Não apenas nas cores e na identidade visual. As políticas de recursos humanos seguem estampadas junto a um microchip para localização, controle e abertura de portas. Aquela cordinha… aquela barrinha abaixo do nome de “guerra” com cores distintas que só quem distingue é quem lê de cabo a rabo o manual de boas-vindas no primeiro dia de trabalho ou o estagiário que espera ansioso seu desligamento do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e, consecutivamente, a mudança para o azul (vermelho, nesse caso, indica temporário, uma espécie de “funcionário de segunda”).
Vamos colocar uma lupa sobre o assunto: uma vez, há uns anos, em meu início de carreira, quando era assistente, em minha carteira de trabalho tinha descrita a função de assistente administrativo junior, embora fosse apresentado como analista, assessor, consultor e até mesmo staff. Todas essas nomenclaturas passaram por meu crachá, minhas promoções e meus cartões de visita. E nunca pude entender o porquê de, na carteira, a coisa ser mantida na mesma, inclusive o salário. Existiam as promoções para setores mais nobres, mas a remuneração continuava a de “ass. adm. jr.”
Hoje, com um pouquinho mais de experiência, posso entender que os avatares e perfis alterados na web começam com esse tipo de comportamento indicado pelas grandes corporações. Como as patentes das forças armadas e táticas de guerra, que inspiram a honra e despertam as motivações muitas vezes equivocadas de sobressair-se pela carteirada.
