Archive for Maio 2009

 
 

Full: mas nem tanto

Se você leu a coluna passada, na qual busco uma reflexão sobre o papel dos negócios de comunicação frente a classificações e modelos, deve entender quando faço referência a “Full”. Não é porque o modelo de negócio está um pouco confuso que se pode banalizar as práticas de comunicação. Um tempo atrás, visitando o site de uma agência de comunicação local, fiquei surpreso ao ver a quantidade de serviços dispostos sem muito nexo.

Para começar, temos de entender com clareza, também já pincelada por aqui, a diferença entre Tática e Estratégia e onde está a comunicação dentro do processo organizacional. Tá claro? Estratégia está no nível da organização, e Tática, no nível de operação. Com isso, atrelando as agências de comunicação, assessorias de imprensa e grupos de comunicação empresarial, suas funções ficam restritas à operação de natureza tática.

Pois bem, voltando ao caso da visita ao site… muito me espantou ver a descrição de serviços. Os caras tentam trabalhar “vendas”, “treinamentos”, têm grande experiência em publicidade e sugerem conteúdo e criatividade em seus negócios (coisas que todos falam). No entanto, a estratégia e as vendas estão no escopo principal, assinado como “comunicação empresarial”. Como pode?

Vamos lá: comunicação empresarial rege a comunicação publicitária quando se faz o delineamento de uma campanha completa. Definem-se os aspectos organizacionais, os aspectos de marketing, e com as metas e problemas em mãos, é definida a melhor conduta para a comunicação empresarial. Nesse caso, a publicidade não necessariamente está ligada a sua prática. Pode ser uma campanha de imprensa ou uma campanha on-line, e não uma campanha descolada, com mensagem publicitária.

O que me chateia, e chamo a atenção, é que existem agências de publicidade, assessorias de imprensa e consultorias sérias que não tentam ser tão full assim, deixando condições de jogo para o cliente sem trazer prejuízo. Quando um picareta desse entra para jogar e oferece estratégias de marketing, ele dá condições para o cliente perder, gerando ruído para todo o mercado. Aquele cliente que nunca foi atendido por uma agência fica receoso ou, quando é bem atendido, começa a exigir atribuições e know-how que não são obrigatórios a esse tipo de serviço. Vamos tentar ser on, off, ou até mesmo full, mas nem tanto, ok? Cada um no seu “andar’ do workflow, respeitando a especialidade de seus pares, sejam eles empresas parceiras ou gestores de uma organização.

On/off = Full

No business da comunicação, a principal dificuldade de hoje é fornecer um modelo de negócio atual, sem entrar em longas explicações para nossos clientes. Claro! Isso começa por aqui, em colunas como esta que tentam abarcar discussões, promover reflexões. Mas, afinal, como atuar na era web? Todos os jornalistas, publicitários e RPs estão aptos a trabalhar com o modelo on-line? Que raios é uma agência off-line? Feio, não?

Em coluna anterior, falei sobre o problema dos “metidos” da web. Pessoas que, por serem internautas, se dizem especialistas em redes sociais ou têm noção de wordpress e já se dizem webdesigners. Isso não é problema novo. Quem de nós nunca discutiu comunicação audiovisual “técnica” com um telespectador leigo e ainda saiu com raiva, pois o “abençoado” não deu a mínima importância para o que você disse e continuou com sua arrogância ignorante? Na internet, é a mesma coisa. As pessoas, por terem acesso, acham que podem julgar e acreditam que podem dar pitacos e, muitas vezes, ganhar dinheiro com isso.

Tive um professor na PUC que dizia: “Sempre que uma pessoa mais velha me pergunta o que eu faço, digo que vendo classificados”. Essa foi a saída para não iniciar discussões e amenizar a ignorância de seu exercício diário. Ele é um grande publicitário.

Da mesma forma que houve mudanças com a chegada dos PCs, extinguindo cargos como o “past-up” e “tipologista”, a web tende a se tornar tão massiva quanto outros meios e, por isso, apenas é necessário bom senso e um pouco de atenção.
Para se manter on-line, não adianta apenas o convívio diário, existe a obrigação da reflexão! Temos de pensar, pensar e pensar como melhor atender a um job. Faço uma proposta: o que vocês acham de, para cada ação de comunicação tradicional, oferecer uma ação web?

Esse seria um bom começo para dar um off na distinção dos mundos. Seja na TV ou no rádio, o que muda para a web é a linguagem e o canal. Público é chave disso tudo, e a maneira para ficar full!