TwitterStar
Qual é a imagem que as pessoas têm do Comunicólogo? Daquele cara que “é da mídia”, seja ele de Rádio, TV, RP ou Jornal? Acho que a de um cara descolado, com gravata colorida e muito senso de humor talvez esteja ultrapassada, mas garanto que ainda é aplicada a alguns publicitários jovens, não necessariamente desta forma. Já o jornalista sempre terá a imagem calcada a óculos com armação pesada? E o RP (relações públicas)? Além de usar uma Cabana Armani e bom senso durante sua atuação em negociações ou crise, terá de manter seu sorriso?
Depois de ler um artigo sobre o futuro no www.coworkers.com.br (acessem, muito bom!) comecei a pensar sobre como serão os nossos hábitos de trabalho. Se a atividade é basicamente a mensagem, com texto, imagem (dos outros na maioria das vezes – isto seria o correto), como será daqui a alguns anos?
Conversar com um jovem de 80 anos fez a minha ficha cair: formadores de opinião são aqueles que realmente estão à frente (e alguns já diziam na faculdade). Ele narrou que, em sua época, os deste “filo” (formadores de opinião) eram os redatores da antiga revista Cruzeiro, Seleções ou grandes locutores de rádio. Não se viam seus rostos ou sua “moda”. Eles formavam opinião somente com suas idéias, no máximo um rabisco em P&B, sem possibilidade de “reply” ou “scrap”. O Ombudsman filtrava eventuais queixas ou elogios que poderiam ser catastróficos para o veículo. Imagine o ego, a vaidade sendo transmitidos diretamente aos formadores de opinião?
Cid Moreira é transcendental. Ele e sua equipe se preocupavam com a parte que era transmitida - definitivamente. Tanto que ficou célebre a cena da bancada. Aquela de especulação massiva em que ele estaria com a parte de cima do terno e a parte debaixo casual, motivo de diversas piadas, inclusive feitas pela própria emissora e por Renato Aragão (Didi). Fazendo um paralelo para os dias de amanhã - ainda não hoje - como a produção de conteúdo será feita? A imagem será a clichê da auto-enunciação, aquela amplamente divulgada nos espaços virtuais, blogs e comunidades, só que de forma ignorante? Acho que não. Isto é apenas uma transição.
Nós pregamos o “E DAÍ?” se anda ou não de transporte coletivo. E DAÍ se usa Mont Blanc presa na camisa, mas na real escreve com esferográfica? E DAÍ se alguns criativos usam estilizações de tênis da década de 70/80 e se julgam modernos? O que devemos vender é a mensagem! Não a imagem auto-enunciada (vale se informar nos textos de Fausto Neto e outros).
Como e por quem a mensagem é transmitida? Noto, e ouso especular, que o modelo da “fachada” ficará restrito a web, e ainda, para alguns insistentes no afinco de fazer sucesso, sendo confundidos com Popstar, agora ouso #palavranova/tag = TwitterStar. Então, é provável que, em um futuro próximo, a boa comunicação seja feita por pessoas vestidas com pijamas protegidas pelo monitor de seu desktop, sem nenhuma vergonha de dizer isto.
O relacionamento será com um par de Sneaker para eventos casuais e, claro, a indispensável gravata - mas esta somente quando não tiver como evitar, para enfrentar aquelas longas reuniões com seus clientes ou o casamento de seu melhor amigo. Se não, na hora da videoconferência, em um homeoffice, com algum parceiro ou clientes, iremos dar uma de Cid Moreira!
